22, Janeiro 2008

Sementes

Minha vida é repleta de erros e, nenhum deles leva o seu nome, mesmo no tempo em que pensava que você era a maior catástrofe de todas, nem mesmo no dia do dilúvio, nem isso pode destruir a beleza dos teus braços, aqueles abraços apertados e mordidas na minha bochecha, e como eu detesto ser mordida, Deus! É sempre proposital. Lembro sempre de você nesses dias de chuva, como num sábado a noite em que passamos um tempo sob a marquise da sorveteria esperando que a chuva passasse e conversamos sobre tantas coisas, lembro da história da menina chutando o sujeito caído, tantas coisas já dissemos um ao outro e o que realmente importa nunca foi dito, não posso esquecer de te avisar que marquei minhas aulas na auto-escola, ao menos dessa vez sinta orgulho de mim.

Ontem pensei em poesia, quase fiz uma pra você, mas sei lá fiquei com medo de parecer boba, mais boba, embora isso seja um romance tenho medo de ser romântica, adular você nem pensar, mas é inevitável a vontade de te colocar no colo e fazer carinho, e quando você emburra rsss fica engraçado, tipo bebê com cara de adulto, acho mesmo que você não cresceu, falando em bebê, como será que você quando tinha um ano? Eu penso nessas coisas, acredita?

Tenho tentado não manter as portas fechadas e dizer a você em gestos que continuo por aqui, mas será que você está percebendo? Dei-me conta de que estou ficando sem ilusões, já acredito que isso possa acabar, assim que você parar de me emocionar eu sei que meu amor se acabará, eu sei parece ridículo e sentimental, mas eu jamais disse que não era ridícula e sentimental.

Mas no final dá tudo certo, não dá?

13, Janeiro 2008

“Todo amor vale enquanto brilha”

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Algumas vezes procuramos esconder a verdade dos nossos próprios olhos, evitamos a todo custo olhar para a realidade das coisas, isso porque, nem sempre viver foi fácil, então você tenta viver os bons momentos com tanta vontade, que quando a vida dá sinal de que nem tudo aquilo são flores, você fantasia, você pinta de rosa, manipula a realidade a seu favor, e isso não é culpa de ninguém, a não ser de você mesmo. Eu tenho uma aquarela imensa, pensava até que a tinha aposentado, mas pelo visto ainda hoje, aos 25 anos, continuo sendo boa nisso, pintar a realidade, colorir as dores e desagrados para viver, pelo menos por mais um instante aquilo que me faz feliz, ainda que não seja real.

Eu me entreguei profundamente a um sentimento que nunca me pertenceu, quer dizer, o sentimento é tudo que eu tenho dessa situação toda, a pessoa por quem eu tenho esses sentimentos é que nunca foi minha, e por vontade própria, nunca será, e se eu sou ótima, linda, cheia de planos e metas, inteligênte e principalmente “a mulher que qualquer homem desejaria ter” por que é tão difícil aceitar que juntos podemos dar certo? É mais fácil abdicar de tudo por ser mais conveniente permanecer na mesma vida que nem é tão boa assim, pois se fosse eu não faria parte dela, talvez eu seja ainda, aquela garota de 15 anos que dormiu por três dias porque não queria mais saber da vida ou então aquela de 20 que desistiu de si, e se fechou pro mundo por dois anos seguidos, por medo de ser machucada novamente, por não querer dar chance pra mais alguém a retalhar, isso não é um talvez, eu continuo sendo essa menina que não aprendeu nada com a própria vida, que não entendeu que sentimento bom tá dentro da gente e os outros são só os outros, são aquelas pessoas que carregam as foices por trás das nossas costas, que nos afagam enquanto dormimos, que nos beijam com ternura e que mesmo sem querer, cedo ou tarde nos farão tanto mal quanto um desconhecido que nos atropela com um trator. E tudo isso é somente parte da vida que levamos, feliz daquele que consegue estar acima dos sentimentos, que pode dizer não em qualquer momento, ir embora sem olhar pra trás, sem ter medo de perder os melhores abraços e beijos que já recebeu, pois ali tinha amor, nem que fosse só o seu, e o que eu aprendi com isso? Não sei, talvez a não me abrir, não gostar, não sentir, não me revelar, não ser dócil, muito menos amorosa, não cuidar, não fazer de tudo para ve-lo bem, não dar o que eu tenho de melhor em mim, mas quer saber? Como é que eu seria capaz de fazer isso se isso é ser eu? Teria então que mudar minha natureza só pra fazer parte desse mundo cão, onde todo mundo se devora, não há amor, não há ternura, as pessoas se traem, mentem, engam umas as outras, não se entregam, são pessimista, e vivem em constante anulação, vivem suas vidas reprimindo os sentimentos e evitando aquilo que temos de mais bonito, que é o amor ao próximo, quer saber? Prefiro ser eu, ainda que eu chore por mais dois anos seguidos, ou que viva os meus 100 anos de solidão, as portas do meu coração são abertas porque essa é a minha natureza, eu amo e não me envergonho disso, e isso não pode ser triste pra mim, deveria ser pra quem não tem a graça de sentir o que eu sinto, é claro que isso provoca essa dor somente em mim também, pois quem não ama não sabe a dor que é perder, não criar vínculos tem seus prós e seus contras, ninguém vai tirar de mim esse laço que foi dado no momento em que eu me reconheci apaixonada por ele, nem ele mesmo seria capaz de apagar toda a beleza do meu sentimento, e talvez por saber a importância e o valor desse sentir, é que eu não devo permitir que isso fique banal, ser tratada como mais uma história ou como uma página virada, um corpo útil, não, eu sou muito mais e isso ninguém precisa me dizer.

Meu grande engano foi um dia pensar que não viveríamos isso pelas convenções, por medo de abandonar e perder o convívio com uma criança, achei que isso tudo fosse medo de arriscar no novo, mas que cedo ou tarde ficaria claro que juntos damos certo, juntos formamos um “nós” e que isso valeria a pena, agora, depois de tudo ouvi um NÃO, que me fez em pedaços, não por ter sido enganada, isso eu nunca fui, como disse, eu colori tudo, infantilidade minha, eu sei, mas será que tudo que eu fui durante esses meses foram momentos bons, somente bons que não mereciam uma chance de passar de momento para ser uma alternativa de vida? Provavelmente não, e quem sou eu nisso tudo? Talvez seja o que qualquer pessoa que saiba dessa história diria que eu sou, isso tudo tem uma importância fundamental pra mim, e pelo visto só pra mim. Não direi jamais que teve mentira ou enganos, a não ser os meus, só posso dizer que amo muito alguém que não me ama, e qual a novidade disso? Bem, ele nem mesmo quer tentar.

“E se você não me quiser, eu vou respeitar, eu juro…

Mas saiba que sou só, e que o meu amor é puro…

E se você não me quiser, eu vou respeitar, isso é seguro…

E a pessoa refletida no espelho dos seus olhos, por onde foi que entrou”?

2, Janeiro 2007

4h

4h da manhã, nenhum remédio, o sono tem ido embora sempre por esse horário, já nem sei o que fazer, estou aprendendo a conviver com isso, um buraco em minha noite antecipando minha manhã, como uma urgência de viver, logo comigo, ando precisando tanto do esquecimento, da infantilidade de um bom “deixa pra lá”,  pena que não resolve nada.

Às 4h da manhã concluo que sou dúvida da cabeça aos pés, pessoas, caminhos, problemas, pra quê tantos problemas? E dívidas comigo mesma, dívidas que dinheiro algum pode pagar, seria mais fácil juntar a quantia mais alta, nota por nota, do que liquidar a aflição que me torce por dentro.

Caio F. você tem alguma palavra para mim?

13, Novembro 2006

Quem Tem Medo de Brincar de Amor

Eu tenho 24 anos e dois copos de uma bebida que inventei, coca-cola, limão e qualquer coisa com álcool, acordei cedo, prova, vestibular, minha mãe passando mal, minha cama quente, ahhhhhhh eu quero ficar, que se dane o mundo! Não dá, então eu vou, me jogo nesse mundo chato, e reclamo de tudo, sou mimada, mal acostumada, inconformada, mal amada? Até que era.
Eu tenho 24 anos de inexperiência e tentativas, coleções mal acabadas de relacionamentos, sabe como é, a gente vira adolescente e entra nessa roda-viva, sempre tentando, tenta de tudo, cigarro, bebida, beijo na boca, selvageria, ficadinhas e sexo vazio, a gente quer chocar, tenta ser alguém e não sai do ensaio, quer ser como Cazuza, sem morrer de aids, quer ser Jack Kerouac, sem morrer negando a si, quer ser Caio Fernando Abreu, quer ser a Madonna na fase puta e a puta que pariu, mas acaba não sendo, nem dá tempo, é puro ensaio, e fica tudo ali, entre uma depressão e outra, a mentira chamada vida escondida pela fumaça dos cigarros que a gente nem sabe tragar.

Tenho 24 anos e acendo mais um, só de pirraça, não quero fumar, não quero água, não quero ar, não quero querer nada, sempre falta alguma coisa, um gosto azedo na boca, feijão estragado, bala vencida, azedume, eca! Nunca passa, pensando enxergar com nintidez, mas nada vê, olhos vidrados, gente passando e ainda temos Smiths, Caetanos, Taiguaras, um pouco de fé sei lá em quem, num Jesus, Buda, incenso de café pra disfarçar e sempre, sempre um pouco de pop pra alegrar, mas ele continua lá, aquele vaziozinho causando o eco……eco….. eco… Você pensa: Porra, quem sou eu? Sei lá, ninguém responde, conclui que não é ninguém e se conforma, vive assim, fingindo alegria, arranja emprego, namorado, livros do Paulo Coelho e canções do McCartney, mas nada tem gosto, nem o McCartney tem gosto, o filme vai passando no cinema dos teus olhos, e não te diz nada, você começa a pensar que deus é um belo de um sacana e depois pede perdão, inventa que é ateu, mas perde tempo xingando religião, uma vida inútil, existência inútil, e você pensa: Porra eu presto pra quê? Sei lá, ninguém presta pra nada, mas tá todo mundo por aí, em rodinhas de violão tocando Pais e Filhos e Tempo Perdido, e é verdade, somos tão jovens, tão jovens….

Tenho 24 anos e choveu colírio aqui, agora o que tenho é uma eterna vertigem, continuam as bebidas, vez ou outra um cigarrinho, eu sei, isso dá câncer, mas rancor também dá, e meu pulso nunca pulsou, mas agora digito zonza, olhando a foto louca, Sgt Peppers em sorriso, e meu Clube dos Corações Solitários nunca mais foi o mesmo, pois é negada, acabou Chorare e tá tudo assim, no bu bu lili, no bu bu lilindo
Tenho 24 anos e nego, eu quero é mais mermão!

22, Outubro 2006

Semifusa

Cinco horas da tarde, um cigarro entre os dedos e uma música dos anos 80 no rádio, meu pensamento tá longe, longe demais para saber voltar, eu li muito Caio F. hoje, queria saber se você gosta também, senti vontade de te apresentar todas essas coisas que eu gosto e fazem parte de mim, esqueci de perguntar se você gosta dele, mas eu estava tão entorpecida de suas palavras que nem lembrei de Caio, nem de Charles Bronson, nem de dizer que eu não como arroz e feijão, e sinceramente odeio filmes de terror, esqueci, devia ter dito, essas coisas fazem parte da composição do ser, quando me dei conta disso, fiquei intrigada, o que será que você não me disse? Um medo, um trauma, um vício, eu lembro que perguntei a você dos vícios, você falou da poesia, cerveja e nicotina, de vez em quando, eu não revelei que tenho essa mania feia de roer as unhas, nem que antes de dormir, falo sozinha, converso comigo e com meus amantes imaginários, imagine, coisa de mulher sozinha, você pensaria que sou louca, mas não sou, ou sou tão pouco que isso não interferiria em nós, veja só, já uso um nós, quando ainda somos você e eu. Tenho esse lado esperançoso que vibra sempre que algo bom acontece, nesse caso é alguém bom, novidade pipocando em minha retina, e nem perguntei pra que time você torce, não deve ser corinthiano, não pode ser, vai me chamar de bambi e essas coisas, nunca dá certo com corinthianos, ainda mais nesses tempos de pré-segunda divisão, eles ficam sensíveis, eu bem sei.

Devia ter contado que ando com medo, falei do fim do namoro velho, acabou tão triste, e confesso, ainda lembro dele, não com aquele amor, mas com uma tristeza, sempre é triste quando não dá certo, não contei detalhes, você também não perguntou, deve saber da dor do fim, a agonia, a preguiça, falei dessa preguiça de começar de novo, ainda que venha um desejo de tentar, dá uma preguiça, mas você sabe alimentar, mandou-me um poema, tão lindo, você é todo cercado de poesia e me carrega junto, então vamos voando e voando e há sete dias eu estou no ar.

Queria fotografar minha janela agora, está um céu lindo, um brilhinho de sol por trás das nuvens branquinhas, e olha, se eu contasse ninguém acreditaria, estão as nuvens entre os fios de alta tensão, por um segundo enxerguei uma partitura, as notinhas pintadas de preto, breves, semibreves, colcheias e semifusas! Muitas semifusas! Desejei meu violino antigo, esqueci, não sei mais tocar, se soubesse tocaria pra você, alguma canção de vento, ainda sei cantar, então ensaio qualquer coisa e faço um lararará pra você, esqueço que você não está aqui, e solto o ar assim, sem pressa, um suspiro de cansaço, e penso em dormir, mas já estou dormindo há tempos, pensando bem, está na hora de acordar e ir ali me pendurar nos fios de alta tensão, como os pássaros, pousando neles sem medo dos choques, vou pousar nos teus fios, mas por favor, não me eletrocute.

13, Outubro 2006

Ok

“O que aconteceu com meu futuro que era o seu?”
Paulinho Moska em Nunca Foi Tarde

Tenho certeza que hoje é sábado, e eu to aqui transbordando sensações egoístas, ouvindo canções de amores desfeitos buscando inspiração pra desfazer ou não o meu, quer dizer amores não se desfazem e sim os contratinhos que criamos para decorá-lo ou demolí-lo, nunca me decido sobre essas coisas, mas eu pensava mesmo em abrir bem as janelas do quarto pra esse cheiro de cigarro sair e respirar outros ares, parar de comer doces seria bom também e definitivamente escrever uma carta pra Paulinho dizendo o quanto sou grata por ele ter dito exatamente tudo que eu queria dizer hoje e não sabia, como disse Renato Russo naquela música… bondade sua me explicar com tanta determinação exatamente o que sinto, como penso e como sou, eu realmente não sabia que pensava assim, alienadinha numa dor de cotovelo básica que poderia vir num agosto, maio, mas veio agora em outubro mesmo, onde eu não tinha nenhuma lembrança ruim, mas meu drama de menina intensa e desvairada não deixaria um mês passar em branco, então aqui estou, cronos seu maldito, vamos lá, crucifique meu feriado de sábado, sábadoooooo e acabe logo com isso. Vou fazer um chá pra curar essa leseira.

10, Outubro 2006

Alumbramento

Gosto de pensar que sou feliz assim, conversando com calma, não ligando pro abandono, pro descaso dele, aquele homem alto e magro fingindo que eu não existo, que me olha como se me conhecesse, mentira, não sabe nada de mim, nem do gosto, nem do cheiro, uma pena não saber, eu lembro de Vera Rivken, eu sempre lembro dela, a moça estranha que Fante contou, ofuscada por sua musa, Camila Lopez, sempre existe alguém que brilha mais do que você e é comum que justo quem você ama vai perceber o brilho dessa pessoa, muitas pessoas brilham mais do que você, mais do que eu então, deve haver mais de mil pontos de luz saltitando na frente dele pra me derrubar, não intencionalmente, ninguém se veste de árvore da natal em pleno outubro, mas em algum canto do mundo, acredito que mais para sudeste, alguém brilhou mais do que eu, e por mais que eu concentrasse minhas energias e cada vez que ele me olhava eu brilhasse um brilho intenso e sincero, tentando pipocar em sua lembrança toda aquela doçura brilhante de outros tempos, nem assim tive sucesso, esse outro alguém deve brilhar demais, algum diamante interno, diamamtes nos olhos, e eu nos meus tenho jabuticabas murchas, não posso culpá-lo, quando o brilho é intenso a gente se deixa levar, com todo encantamento, tipo história de sereia, tipo príncipe e princesa, mas vale lembrar que sempre terá alguém que brilha mais do que você, sempre, e se você correr toda vez que avistar alguém assim, vai passar a vida no incerto, correndo e querendo mais, deslumbrado por cada um que passar e piscar.

9, Outubro 2006

Findou

ainda que rotineiro, já não poderia mais viver com aquilo, aquele amargo na boca a irritava mais do que nunca, e o gelo nos dedos dele serviriam penas pra lembrá-la que a distância separou muito mais do que os corpos, ela apagou os sentimentos e pouco a pouco foi dilacerando as lembranças e o desejo de continuar, e hoje, se continua é por puro costume, pois por dentro é puro vazio,  enxugou o pranto e foi dormir, hoje, em todo o mundo, nenhuma mulher foi tão triste.

8, Outubro 2006

Meu Reflexo

Pintei minha boca de vermelho e fui à guerra, conquistaria enfim o afago que me acende o fogo do corpo e da alma, eu falo em alma porque meu corpo ele conhece, não sabe quem sou, mas me conhece, esse estranho, tão lindo, parado atrás do espelho, me observando, sem entender o porque das coisas, sem saber o que faz aqui, eu me esforço transferindo pra ele toda a agonia de ser eu, com essa boca pintada, unhas roídas e nenhum charme pra conquistar.

7, Outubro 2006

Came e Case

Pense, Janaína, naquela manhã cinzenta, cheia de ais e lampejos, toda manhã de julho é assim, mas ainda sim, calçou as sandálias e foi embora da casa de Alberto, ainda que por dentro o peito apertava o choro, faltava pouco pra saltar boca à fora e gritar um grito de socorro, naquela manhã, Janaína era toda gritos contidos, aquela vontade de conversar, discutir relação, explicar o inexplicável amor que sentia por ele que antes de sair fez questão de exigir a cópia da chave de volta, não a queria mais, era assunto encerrado, e ela ali, prostrada na cadeira, pensando nos dois anos que passou ali naquela cama, e se deu conta que ainda usavam o mesmo lençol, pensou em comprar um novo, mas a realidade falou mais alto e a fez lembrar que ela não estaria ali nem pra saber do sol a próxima manhã, agora precisava arrumar outro lugar para dormir e chorar.