Teve um tempo nessa minha vida em que eu acreditava que seria O Máximo! Esse tempo foi passando e por muitas vezes fui o mínimo, o nada, altos e baixos, choros, lágrimas, risos, palavras e mais palavras e no fim – ou no meio, vai saber…- o que continua é uma imensa vontade de ser, continuar sendo algo que eu ainda não alcancei, almejo o mundo, o pico mais alto, o porre mais louco, incrível como eu ando inventando meus próprios pecados e venenos, nocivos ao bolso e ao corpo físico, nada ilegal, até porque engorda…. Sindo uma saudade monstra dos dias em que eu apenas dedilhava no teclado e saía alguma coisa que mais tarde, ao ler, me causava um orgulho danado.
Tem dias que eu fico mais vazia que você.
Algum dia você já se sentiu completa? Eu já, mas durou tão pouco que bateu um desespero, será que vale a pena viver algo sabendo que vai acabar, que cedo ou tarde aquilo tudo vai embora e só sobrarão lembranças? Eu nem sei mais, nos meus tempos de positivismo eu diria que sim, vale a pena, melhor do que viver sem saber, aliás, diria ainda que melhor é viver, se jogar, hoje, estou nos tempos do realismo, é viver ou perder tempo? Sei lá, ando tão descrente, não espero mais nada, queria mesmo é que milagres acontecessem a torto e a direito, assim minha vida faria sentido, antes dos milagres começarem acontecer isso tudo continuará sendo um eterno “sonhar acordado” e todo mundo sabe que um dia todo mundo acorda, acorda pra vida, pra verdade, pra mentira, simplesmente acorda, não sei se o que eu vivo é a ilusão ou se o que eu espero viver é que é na verdade, embora nada disso mude muito as coisas, já que já foi feito, já foi dito, já tá escrito no meu livro de história, no meu arquivo, eis aí o pensamento que não para de pulsar na minha cabeça: “perdi meu rumo?”. Afinal, por que o amor é tão necessário assim? E quem diz que não amar é melhor, que não se importar com isso é melhor, nossa pra mim isso soa tão falso quanto quem diz que é impossível ser feliz sozinho, acredito mesmo num equíbrio disso tudo, só não encontrei esse ponto certo.
Não falo reclamando do que vivo, falo querendo que isso exploda, vai ver eu desejo um amor de cinema, aquelas paixões fumegantes, que alguém sempre fica louco no final, e quer saber? Qual o problema, se eu contasse minha história diriam que já é tudo emocionante por demais, mas pra mim é tudo calmo e parado e eu desejo tanto estar à 300 km por hora que dá esse nó, e ao contrário do que parece, não busco aventura, busco certezas, como se alguém vivesse delas…. Eu sei que tenho o homem perfeito na imperfeição, me apaixonei pelos erros dele, vai entender, e sei que duraria uma vida inteira, já dura uma vida inteira, e eu ainda quero mais.
Se existe algo pior do que ter certeza que a pessoa que você ama, tem a certeza que não quer ficar com você, por favor, me avise. E quando se sabe disso, o que fazer? Manda tudo à merda e parte pra outra? Que outra, se quando a gente ama só consegue seguir um caminho? Poderia ser mais fácil, mas não é. Um dia eu deixo de ser fraca e dou meu passo fatal.
“Quando a gente tenta de toda maneira, dele se guardar
Sentimento ilhado, morto e amordaçado volta a incomodar…”
Fagner em Revelação
Minha vida mais parece um labirinto, e eu, cada vez mais perdida dentro dele, não consigo agir, me sinto atada por sentimentos que deveriam me fazer feliz, mas frequentemente me fazem chorar, e não querendo curtir draminhas, eu realmente não estou consigo segurar a onda, lembro de Kundera, eu estou vivendo uma insustentável leveza tão cruel que me faz repensar as questões de relacionamento a dois, você conhece alguém e resolve dedicar totalmente a essa pessoa e algumas vezes – entenda que algumas pessoas fazem isso o tempo inteiro – essa mesma pessoa se empenha tanto em te destruir que você chega a pensar que essa coisa de amor não é pra você. Eu fui mais longe, casei, não só escolhi dedicar-me a outra pessoa, eu escolhi essa pessoa pra testemunhar minha vida e eu a dele… e eu me encontro tão destroçada por ele que realmente chego a duvidar das suas reais intenções comigo, será que existe alguma diversão em ferrar os sentimentos dos outros? Estão brincando com minha vida, decepando meu orgulho e eu estou aqui de braços cruzados esperando algum golpe final? Eu nem sempre fui assim, já fui corajosa e forte, hoje sou um frangalho, que aparenta fragilidade, um sopro me derrubaria, e eu continuo insistindo nessa relação doente, sem confiança e que tanto tem me feito chorar, eu me pergunto se existe amor dentro dele… senão por mim, por ele mesmo, por que ele não busca outras pessoas sem me obrigar a aceitar isso também. Eu estou perdendo a fé.
“Podem até maltratar meu coração, mas meu espírito ninguém vai conseguir quebrar.”
R.R
será?
Levei um golpe da vida, mais uma rasteira, e foi duro, como sempre é, difícil você encarar os problemas de frente e ser forte, dessa coisa de Loucura, Chiclete e Som, eu ando só pela loucura, pisando em vidros, e sem querer ser dramática, virando cacos… Eu perdi a paciência pra dor, sempre ouvi dizer que o sofrimento é opinicional, então sofrimento vá pra PQP.
Mãe
Esta é a situação mais definitiva que já vivi dentro de mim um ser ainda pequenininho, mas que já tem um coração pulsando rápido, e vive e depende por enquanto inteiramente de mim, não consigo sentir confiança em mais ninguém alem de mim neste momento, meus pais estão me apoiando inteiramente, os avós paternos também, mas já sinto que de agora em diante somos eu e ele. Não foi o planejado, mas é mais que desejado, amado e esperado. Pelo visto estou com 5 semanas, logo entrarei num processo maluco de exames, consultas, ultrassonografias e roupinhas, quartinho, nomes e tudo mais. Que delícia. Meu bebê, que alegria dizer isso, e é mais do que sentido é a maior certeza da minha vida, eu já amo meu filho.
Luto Transparente
Através da Revista Criativa eu conheci o trabalho da Manuela Pontes, ela passou por dois abortos e criou o Projeto Artémis que é um grupo de apoio às mulheres que passaram por este drama, eu diria que trata da humanização da dor de quem sofre o aborto.
Amanhã é dia das mães eu vou me aninhar com a minha mãe e minha avó e pedir a Deus que seja mais misericordioso comigo no momento em que eu clamar, eu clamei pela vida do meu bebê, mas não foi o bastante para Ele permitir que meu filho vivesse.