Afinal, o que eu quero?

Tenho feito essa pergunta a mim mesma diversas vezes, quando chego cansada do trabalho, meu menino saltitante, feliz, gritando “mamãe, você chegou!!!” com uma alegria que eu nunca vi  igual, aí após o banho e o jantar, sento e tomo uma cerveja, e penso. Penso na minha vida, me reconheço sozinha, mais do que gostaria, mas na minha solidão percebo que não quero preencher meu tempo com pessoas vazias ou que não se importam comigo, não quero passar meu tempo esperando ligações que não chegam, não quero me consumir de ansiedade sonhando com a atenção que na verdade não estou recebendo, eu não quero me desperdiçar com quem não me acha importante.

Amores frouxos. Foi isso que eu li esses dias, não vou gastar minha capacidade de me apaixonar e amar alguém com quem não quer o mesmo pra si, com quem não se constrange em enrolar e iludir. Quero me aventurar, mas na felicidade, viver algo intenso, mas real, e principalmente, quero algo recíproco. Não é tão simples, o tal querer não é poder, mas evitar entrar em roubadas em pseudo relacionamentos frouxos já ajuda.

Ainda choro pelo vazio da casa, de mim, mas não sinto qualquer fragmento de saudade da vida que eu levava. Do meu peito pra dentro, dói, mas continuo aqui.

 

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“Em plena treva, pobre e nu”

Pensando em Fernando Sabino, melhor dizendo, em Hélio Pellegrino, no prefácio de Encontro Marcado, onde em um trecho de uma carta Hélio diz “É meio-dia em nossa vida, e a face do outro nos contempla como um enigma. Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro.” Sinto que me encontro no meio-dia da minha vida, e ao me deparar face a face com o outro, me senti exatamente assim, pobre e nua, numa solidão escura e aterrorizante, veja bem, eu não estou no florescer dos vinte anos, estou lá na verdadeira meia idade ou melhor, possivelmente e se Deus quiser, estou na metade da minha vida, tenho 35 anos, se viver até os 70, puta lucro… Voltando… após um casamento desfeito, outro engatado e também desfeito, eu perdi muita paciência pelo caminho, sinto a cada dia que eu realmente não consigo seguir todas as etapas, conhecer, trocar ideias, se encantar, se envolver, se apaixonar… o que me acontece é o seguinte, ao conhecer alguém eu logo sei se me interesso, e isso me enche de ansiedade e fantasias, eu me encho de tata esperança de que será bacana, sonho mesmo, mas me obrigo a desistir se por exemplo a pessoa demonstra que está nesse flerte com mais alguém, eu já sinto que será uma roubada, não estou motivada a disputar ninguém, a essa altura eu penso que se alguém se interessa por mim, não vai ter necessidade de ficar saltando de um lado pro outro, imagino que está interessado em saber se damos certo e se não der tudo bem, partiremos pra outras… com 35 anos ainda me deparo come isso, e realmente não sei lidar. Saí de um casamento ruim, triste e doente, então por mais carente que eu me sinta, o medo de ter que passar por joguinhos de conquista me deixam enjoada. Talvez eu esteja pulando uma etapa, mas não dá. Será que existe alguém que saiba o que quer e esteja aberto a isso? Sabe fazer dar certo por querer que dê certo? Em resumo estou frustrada, triste e talvez rejeitada.

Ainda tenho um longo caminho a seguir.

Carestia

Meu coração anda esmagado, a sensação é que em pouco tempo deixarei de existir, consigo sentir o encolher do meu corpo, cada dia mais curvada, menor, sumindo, sumindo, até minha voz tem falhado, então me sinto realmente pequena, sozinha e triste, tentando jogar o jogo da vida, encarando os dias, mas algo em mim está exausto, acho mesmo que é minha alma, ela está perdendo as forças e estou desaparecendo, já afetou meu físico, não tenho mais amigos, exceto a Barbara, ela não desiste nunca, no mais, parece que ninguém recorda da minha existência, também desisti de procurar, tentei algumas vezes, sem sucesso.

Continuo desempregada e agora isso atinge a geladeira, minha aparência agora descuidada me faz sentir pior, nada, nem mesmo uma onda, uma marolinha me faz acreditar que algo irá melhorar, não culpo ninguém pelo momento que vivo, tanta gente está na mesma, enfim, sou só mais uma.

Tenho vivido uma carestia de tudo, inclusive de vida.

 

do peito pra dentro

Estive relendo meu blog, estava tentando descobrir quando foi que o incomodo começou, quando eu me vi triste e sem fé no meu casamento, bom, já fazia muito tempo, entendi que estava infeliz há algum tempo e tal qual Elizabeth Gilbert em Comer, Rezar e Amar, eu não queria estar casada. Constatar isso me trouxe tamanho arrependimento por ter demorado tanto a tomar uma atitude, pois tudo foi piorando, ficando insustentável, perdendo o respeito, a convivência, viramos sócios, não mais parceiros.

Hoje estou na primeira fase pós separação, ainda tem muito contato e muita dor, é a minha segunda separação, mas sinto que estou tão machucada por cada escolha que fiz durante os anos que não consigo chorar, não quis me trancar no banheiro, nem deixar de tomar banho ou lavar o cabelo, não tive uma crise séria de depressão, estou vivendo isso tudo de cara limpa e na carne, cada navalhada sangrando até a última gota, sem fugas, sem distrações, só estou vivendo um dia de cada vez e tentando me reencontrar, lembrar quem sou, do que gosto, por exemplo, lembrei que sempre escrevi e fui me abafando com o tempo, receio de ser lida, revelada.

Hoje só quero me levantar, e poder olhar para esse momento bem de longe, respirando aliviada por ele ter passado, o cenário não é dos melhores, estou desempregada, separada, com um filho pequeno hiperativo e sem ao menos ter ideia de quando o jogo irá virar.

Passa tempo, passa.

“Há momentos que temos de procurar o tipo de cura e paz que só podem vir da solidão.” Elizabeth Gilbert

 

ponto seco

Este é realmente um casamento onde vivemos sós.  Cada um em sua realidade e vivendo suas histórias longe dos olhos do outro, compartilhando somente o que é oportuno,  realidade seletiva. Há trabalho em excesso, há desemprego, há um vazio e uma descrença
pq no meio disso tudo, há o cansaço para as desculpas estamos na contramão um do outro… isso enxerga quem  quer. hoje eu vivo para esperar você.

Sou eu sozinho e esse nó no peito.

solidao-a-dois

Como a canção de Gil, aqui estou eu sozinha com esse nó no peito, dia após dia num esforço sobre-humano para afrouxá-lo e nada acontece, porque na vida, há sempre um momento crucial ontem tudo se desloca e o nosso pensamento já não comunga com o corpo, não adianta fugir, negar, fingir, nada mais será como antes, algo muito alem da consciência do sentir-se bem ou mal, é uma transformação interna que faz com que um dia acordemos diferentes, as coisas só são diferentes e ponto.

Já não terá mais calor, nem borboletas no estômago e aquela vontade de abraçar na cama, bummm se foi, cercada antes de incertezas, neste momento tudo fará sentido, você não ama mais. Por pior que seja pensar nisso, cercada de culpa e dor, muito medo de estar ficando maluca, afinal por que mexer nesse vespeiro? Cutucar o mar sem ondas em que se vive é mesmo necessário? Ora, deveria ser primordial! Como morrer e assistir ao próprio enterro? Como abrir mão da vida por medo ou falta de ousadia? A vida não é para fracos e o amor muito menos, entendo sofrer, entendo que a dor faz parte das histórias de amor, e entendo até que em alguns casos, ele acaba, ou há separações enquanto há amor, mas não entendo continuar sem amor, sem vontade, em calor, sem desejar o abraço o beijo e principalmente, não entendo achar normal não ser amado.

Muito me incomoda a falta de rédia, de controle das minhas emoções, mas mais ainda me incomoda o mar morno e sem ondas em que me encontro, porque amar é bom, mas estar apaixonado por quem se ama é sensacional, isso eu não encontro mais, nem com lupa, nem nas entrelinhas, em lugar nenhum da minha vida.

No campo das relações eu preciso me sentir viva e nada menos, no momento estou morrendo aos poucos, agonizando sozinha numa relação com alguém que não me vê, não escuta e nem mesmo o quer.

“Meu mundo que você não vê
  Meu sonho que você não crê”

Cazuza

Paciência é uma virtude

“Tudo é questão de obedecer ao instinto
Que o coração ensina ter, ensina ter.
Correr o risco, apostar num sonho de amor.
O resto é sorte e azar.”

Estive pensando em como esse processo de amadurecimento é árduo, seja qual for o start, dificilmente a maturidade virá por alegrias, o sofrimento é como um combustível para alguns processos internos, parece algo burocrático, mas na realidade o pensamento é simples: sem dor não há ganho, eu não sou adepta a exercícios, mas o bordão tem seu valor, em muitos pedaços da minha vida fui impulsionada pela dor, seja física ou emocional, a física me ensinou o valor do tempo, entender que não tenho o poder de controlá-lo foi um grande passo, dar qualidade ao dia a dia, fazer o que se gosta, isso sim faz toda diferença, às vezes é mais difícil ainda, é preciso esperar, não há o que ser feito, então simplesmente esperamos a onda passar, a maré baixar, a tempestade passar, os sentimentos se acalmarem, o nevoeiro baixar, não é a toa que os sinônimos para paciência são sempre relacionados a fatores do tempo,  são coisas que não controlamos, então, em algumas situações é necessário sim, baixar a bola e aguardar, normalmente isso traz uma clareza melhor, enxergamos o cenário com olhos mais tranquilos e sem a poluição e a vertigem do calor do momento.

Adultecer

“ninguém me sente, somente eu posso saber o que me faz feliz!”

Mergulhar dentro de si exige no mínimo boa vontade e franqueza, eu me coloco nessa posição diariamente, pode parecer cansativo, mas não é. Viver à margem de si mesmo é pobre, medíocre e triste, sou dessas pessoas que preferem uma tristeza legítima à uma alegria de plástico. Adultecer quebra os ossos e requer disposição, até podemos recuar e prolongar a adolescência, mas a que preço? Ser adulto, maduro não precisa ser ruim, pode ser um viver consciente e realizado. Responsável por suas escolhas, você automaticamente é o dono sua história, sem culpar terceiros.

Não tenho preguiça de cuidar da minha vida, desse pecado não morrerei.

Tudo que viveu e morreu…

Sobre cada vez que o coração exigiu algo mais, um amor romântico, de mãos dadas, com cheirinho de sábado a noite, perfume de namorados. Nossos sentimentos perdidos, mal entendidos, já confusos no meio da rotina da vida, abafado pelos costumes. Ah! Eu sempre desejei estar no altar do coração do meu homem. Não lembro de algum dia ter ocupado esse lugar, teve uma vez, lá atrás, acreditei mesmo nisso, hoje vejo que saber usar das palavras é sinal de esperteza, mas amor é outra coisa. Amor é uma música do Gilberto Gil. Não omissão ou silêncio.

50 Tons de Amor

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Terminei a leitura de Grey, fiquei pensando em como seria ver minha relação pelos olhos do outro, seria intenso? Será que ele me ama e deseja com ardor ou é morno? Será que ele me enxerga com entusiasmo, dá certa vergonha desejar um amor quase infantil ou seria adolescente, queria ser sua menina, sua mulher, ser sua… Ah! intensidade e vontade de viver o amor como se fosse morrer amanhã.

Profunda demais pra ser feliz por um dia.