ponto seco

Este é realmente um casamento onde vivemos sós.  Cada um em sua realidade e vivendo suas histórias longe dos olhos do outro, compartilhando somente o que é oportuno,  realidade seletiva. Há trabalho em excesso, há desemprego, há um vazio e uma descrença
pq no meio disso tudo, há o cansaço para as desculpas estamos na contramão um do outro… isso enxerga quem  quer. hoje eu vivo para esperar você.

Sou eu sozinho e esse nó no peito.

solidao-a-dois

Como a canção de Gil, aqui estou eu sozinha com esse nó no peito, dia após dia num esforço sobre-humano para afrouxá-lo e nada acontece, porque na vida, há sempre um momento crucial ontem tudo se desloca e o nosso pensamento já não comunga com o corpo, não adianta fugir, negar, fingir, nada mais será como antes, algo muito alem da consciência do sentir-se bem ou mal, é uma transformação interna que faz com que um dia acordemos diferentes, as coisas só são diferentes e ponto.

Já não terá mais calor, nem borboletas no estômago e aquela vontade de abraçar na cama, bummm se foi, cercada antes de incertezas, neste momento tudo fará sentido, você não ama mais. Por pior que seja pensar nisso, cercada de culpa e dor, muito medo de estar ficando maluca, afinal por que mexer nesse vespeiro? Cutucar o mar sem ondas em que se vive é mesmo necessário? Ora, deveria ser primordial! Como morrer e assistir ao próprio enterro? Como abrir mão da vida por medo ou falta de ousadia? A vida não é para fracos e o amor muito menos, entendo sofrer, entendo que a dor faz parte das histórias de amor, e entendo até que em alguns casos, ele acaba, ou há separações enquanto há amor, mas não entendo continuar sem amor, sem vontade, em calor, sem desejar o abraço o beijo e principalmente, não entendo achar normal não ser amado.

Muito me incomoda a falta de rédia, de controle das minhas emoções, mas mais ainda me incomoda o mar morno e sem ondas em que me encontro, porque amar é bom, mas estar apaixonado por quem se ama é sensacional, isso eu não encontro mais, nem com lupa, nem nas entrelinhas, em lugar nenhum da minha vida.

No campo das relações eu preciso me sentir viva e nada menos, no momento estou morrendo aos poucos, agonizando sozinha numa relação com alguém que não me vê, não escuta e nem mesmo o quer.

“Meu mundo que você não vê
  Meu sonho que você não crê”

Cazuza

Paciência é uma virtude

“Tudo é questão de obedecer ao instinto
Que o coração ensina ter, ensina ter.
Correr o risco, apostar num sonho de amor.
O resto é sorte e azar.”

Estive pensando em como esse processo de amadurecimento é árduo, seja qual for o start, dificilmente a maturidade virá por alegrias, o sofrimento é como um combustível para alguns processos internos, parece algo burocrático, mas na realidade o pensamento é simples: sem dor não há ganho, eu não sou adepta a exercícios, mas o bordão tem seu valor, em muitos pedaços da minha vida fui impulsionada pela dor, seja física ou emocional, a física me ensinou o valor do tempo, entender que não tenho o poder de controlá-lo foi um grande passo, dar qualidade ao dia a dia, fazer o que se gosta, isso sim faz toda diferença, às vezes é mais difícil ainda, é preciso esperar, não há o que ser feito, então simplesmente esperamos a onda passar, a maré baixar, a tempestade passar, os sentimentos se acalmarem, o nevoeiro baixar, não é a toa que os sinônimos para paciência são sempre relacionados a fatores do tempo,  são coisas que não controlamos, então, em algumas situações é necessário sim, baixar a bola e aguardar, normalmente isso traz uma clareza melhor, enxergamos o cenário com olhos mais tranquilos e sem a poluição e a vertigem do calor do momento.

Adultecer

“ninguém me sente, somente eu posso saber o que me faz feliz!”

Mergulhar dentro de si exige no mínimo boa vontade e franqueza, eu me coloco nessa posição diariamente, pode parecer cansativo, mas não é. Viver à margem de si mesmo é pobre, medíocre e triste, sou dessas pessoas que preferem uma tristeza legítima à uma alegria de plástico. Adultecer quebra os ossos e requer disposição, até podemos recuar e prolongar a adolescência, mas a que preço? Ser adulto, maduro não precisa ser ruim, pode ser um viver consciente e realizado. Responsável por suas escolhas, você automaticamente é o dono sua história, sem culpar terceiros.

Não tenho preguiça de cuidar da minha vida, desse pecado não morrerei.

Tudo que viveu e morreu…

Sobre cada vez que o coração exigiu algo mais, um amor romântico, de mãos dadas, com cheirinho de sábado a noite, perfume de namorados. Nossos sentimentos perdidos, mal entendidos, já confusos no meio da rotina da vida, abafado pelos costumes. Ah! Eu sempre desejei estar no altar do coração do meu homem. Não lembro de algum dia ter ocupado esse lugar, teve uma vez, lá atrás, acreditei mesmo nisso, hoje vejo que saber usar das palavras é sinal de esperteza, mas amor é outra coisa. Amor é uma música do Gilberto Gil. Não omissão ou silêncio.

50 Tons de Amor

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Terminei a leitura de Grey, fiquei pensando em como seria ver minha relação pelos olhos do outro, seria intenso? Será que ele me ama e deseja com ardor ou é morno? Será que ele me enxerga com entusiasmo, dá certa vergonha desejar um amor quase infantil ou seria adolescente, queria ser sua menina, sua mulher, ser sua… Ah! intensidade e vontade de viver o amor como se fosse morrer amanhã.

Profunda demais pra ser feliz por um dia.

The Scientist

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Alguns reencontros são cercados de dor e lembranças, alguns outros de saudades, tenho vivido um momento doloroso de autoconhecimento, não saberia explicar ao certo qual é o sentimento que tem me movido, sei que hoje sou uma mulher extraoficialmente casada, com um filho e um coração cheio de sonhos não realizados. Estou ouvindo Coldplay ” Nobody said it was easy” e realmente não é fácil. O Reencontrei nessas ondas da Internet e senti por sua separação, divórcios são cruéis até para os injustos. Causam uma dor sem precedentes, nada acalanta a alma, simplesmente dói, simplesmente fere e não há nada a ser feito, somente o senhor do tempo pode abrandar. Eu continuo na roda viva das relações, tentando ser feliz junto, ele foi um dos que desistiu. Corajoso. Que seja feliz.

33

A vida não é filme e você não entendeu

Paralamas do Sucesso – Ska

Algumas tempestades simplesmente não passam. Tenho dormido e acordado pensando na minha situação, às vésperas de completar 33 anos, e sem querer ser muito filosófica, sentindo um fracasso absurdo, Jesus Cristo, aos 33, já tinha uma história absurda, e não é me comparando a Cristo, é o pensamento na maturidade, é pensar que aos 33 eu já deveria estar convicta de boa parte da minha vida, mas não estou.

Ainda me pego idealizando o amor devoto, carinhoso e marido dedicado, mas acordo e tenho a casa de cabeça pra baixo, toalhas imundas e molhadas na sala, falta de interesse e apetite de mim, enfim, senão tiver cerveja, estou só. Sem paixão. Aos 33 esperava ter isso certo, um homem louco por mim, como as taras malucas de Bukowski, Ah Deus, um pouquinho de loucura nessa vida morna, mas não. tudo é calmaria.

Socorro

Por favor, uma emoção pequena, qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta
Tem tanto sentimento deve ter algum que sirva.

O que fazer quando você está cansada demais para remar sozinha? Meus braços estão cansados dessa luta diária e, o mais terrível pra mim, são as mil pausas diárias para segurar o choro, pra não desabar.

Jurei nunca mais voltar àquele estado de dor e depressão, mas está difícil. Socorro.

Desenterrando os desesperos

Passei algum tempo distante, e ao reler tudo que saiu de mim e aqui depositei, senti uma saudade imensa do meu eu, sim, pois esta aqui sou eu, profunda, sentimental, e de verdade. Impressionante como pude amordaçar meus sentimento e confundir isso com maturidade. Somos o que somos e negar a própria natureza é cruel demais, foi como tomar a pilula azul, ir à Narnia ou Wonderland. Não! Na verdade acho que sou de Wonderland, imagens distorcidas e uma realidade alternativa. Como é doloroso sentir que todo aquele sentimento de autoconhecimento se foi, o que foi que eu fiz de mim? Engraçado que tudo que eu mais gostava em mim, esses parágrafos intermináveis, aquelas auto-análises infinitas, meu Deus, é tudo que meu marido mais odeia em mim, como foi que cheguei aqui? Sinceramente não sei, só sei que estou exausta e confusa, tentando recuperar o folego e o amor próprio, aprendendo mais uma vez a ressurgir das cinzas que eu mesmo criei.