solidao-a-dois

Como a canção de Gil, aqui estou eu sozinha com esse nó no peito, dia após dia num esforço sobre-humano para afrouxá-lo e nada acontece, porque na vida, há sempre um momento crucial ontem tudo se desloca e o nosso pensamento já não comunga com o corpo, não adianta fugir, negar, fingir, nada mais será como antes, algo muito alem da consciência do sentir-se bem ou mal, é uma transformação interna que faz com que um dia acordemos diferentes, as coisas só são diferentes e ponto.

Já não terá mais calor, nem borboletas no estômago e aquela vontade de abraçar na cama, bummm se foi, cercada antes de incertezas, neste momento tudo fará sentido, você não ama mais. Por pior que seja pensar nisso, cercada de culpa e dor, muito medo de estar ficando maluca, afinal por que mexer nesse vespeiro? Cutucar o mar sem ondas em que se vive é mesmo necessário? Ora, deveria ser primordial! Como morrer e assistir ao próprio enterro? Como abrir mão da vida por medo ou falta de ousadia? A vida não é para fracos e o amor muito menos, entendo sofrer, entendo que a dor faz parte das histórias de amor, e entendo até que em alguns casos, ele acaba, ou há separações enquanto há amor, mas não entendo continuar sem amor, sem vontade, em calor, sem desejar o abraço o beijo e principalmente, não entendo achar normal não ser amado.

Muito me incomoda a falta de rédia, de controle das minhas emoções, mas mais ainda me incomoda o mar morno e sem ondas em que me encontro, porque amar é bom, mas estar apaixonado por quem se ama é sensacional, isso eu não encontro mais, nem com lupa, nem nas entrelinhas, em lugar nenhum da minha vida.

No campo das relações eu preciso me sentir viva e nada menos, no momento estou morrendo aos poucos, agonizando sozinha numa relação com alguém que não me vê, não escuta e nem mesmo o quer.

“Meu mundo que você não vê
  Meu sonho que você não crê”

Cazuza

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